O Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, terá em breve um novo administrador! Em leilão na tarde de hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o terminal foi arrematado pela Aena, da Espanha, por R$ 2,9 bilhões, valor 210,88% acima do lance inicial de 932 milhões. A concessão vai até maio de 2039.

Segundo a Aena, a expectativa é que a transação seja totalmente concluída no segundo semestre deste ano. “A compra das ações da concessionária está sujeita à formalização do contrato de compra e venda com os atuais acionistas, uma vez obtidas as aprovações regulatórias e cumpridas as demais condições previstas no termo de referência do processo de venda”, disse a empresa em comunicado.
A Aena é o maior operador aeroportuário do mundo em número de passageiros. Sediada na Espanha, onde administra 46 aeroportos e dois heliportos, a companhia também atua em países como Reino Unido, México e Colômbia. No Brasil o grupo gerencia o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e outros 16 terminais no Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
O fim de uma concessão repleta de problemas
O resultado do novo certame coloca um ponto final na concessão formada pela Changi e a Vinci Compass, que até então administravam o Galeão. A Changi estava em posse do terminal desde 2013, mas passou por poucas e boas desde então: saída da Odebrecht da sociedade, pandemia e a disputa com o Santos Dumont.
A Covid-19 foi o estopim para a empresa buscar um comprador para a sua participação no terminal. À época, a empresa alegava que a conta financeira não fechava, sobretudo no que dizia respeito às expectativas de movimentação de passageiros.

A chegada de um novo dono, porém, acontece no momento em que o Galeão volta a ganhar relevância nacional após anos de esvaziamento. O jogo começou a virar em 2024, quando o governo federal colocou limites ao número anual de passageiros no Aeroporto Santos Dumont, o que obrigou a transferência de diversos voos de Azul, Gol e Latam para a Ilha do Governador.
Como resultado, o maior aeroporto do Rio passou a crescer em viajantes anuais, chegando ao recorde de 17,9 milhões no ano passado e ocupando a terceira posição entre os terminais mais movimentados do Brasil, atrás apenas de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo.
Além disso, vale lembrar que, neste mês, a Gol anunciou um hub (centro de distribuição de voos) internacional no Galeão. A partir do Rio, a empresa vai ter voos diretos para Nova York, Orlando (Estados Unidos), Lisboa (Portugal) e Paris (França). O terminal já é um hub doméstico da companhia e deve se consolidar como seu espaço mais importante no Brasil nos próximos meses.
Quais são as principais obrigações do novo dono do Galeão?
Entre os principais destaques da nova concessão está a saída total da Infraero. A estatal de administração de aeroportos detinha 49% das ações do Galeão até este mês. Além disso, haverá a substituição de uma contribuição fixa por um pagamento variável de 20% sobre o faturamento até 2039, repassado à União como taxa de concessão.

O documento da concessão também prevê que a Aena não será obrigada a construir uma terceira pista no aeroporto. Por outro lado, exige a criação de um mecanismo de “compensação” em caso de restrições de voos no Aeroporto Santos Dumont.
Vale lembrar que o terminal focado em voos domésticos no Rio tem problemas recorrentes, sobretudo climáticos, que obrigam o seu fechamento temporário.
Como foi o leilão do Galeão na B3?

Os envelopes com as propostas de Aena, Zurich e Rio de Janeiro Aeroporto SA (a atual concessionária) foram abertos logo depois das 15h. Aena e Zurich deram o mesmo lance de R$ 1,5 bilhão, enquanto a terceira lançou R$ 934 milhões. A proposta mínima era de 932 milhões.
A partir daí, na etapa de viva voz, Aena e Zurich passaram a fazer propostas em sequência até que os espanhóis venceram a disputa depois de quase duas horas. Ao todo, a Aena deu 13 lances, e a Zurich, 10. A Rio de Janeiro Aeroporto SA deu apenas três lances, parando na casa de R$ 1,8 bilhão.

