quarta-feira, 15 abril, 2026

Pinar del Río, o encanto natural de Cuba (+Fotos)

Havana (Prensa Latina) Um dos destinos turísticos mais surpreendentes de Cuba é, sem dúvida, Pinar del Río, a província mais ocidental do país, que, apesar dos furacões e problemas de 2025, busca a todo custo seu caminho de recuperação.

Por Roberto F. Campos

Da equipe editorial de Economia

Fotos do autor

Um centro de visitantes, já que profissionais do turismo o visitaram no encerramento da 43ª Feira Internacional de Turismo de Cuba (FITCuba 2025 – 30 de abril a 3 de maio), quando se destacou pelo entorno natural e potencial para viagens de aventura.

Pinar del Río é uma das áreas mais fascinantes do país, famosa por suas paisagens espetaculares, produção de tabaco de renome mundial e cayos idílicos.

Entre suas principais atrações estão o Vale de Viñales, declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e os ilhotes da costa norte, como Levisa e Jutías, que oferecem praias paradisíacas e águas cristalinas.

Em primeiro lugar, devemos mencionar o Vale de Viñales, coração natural e cultural de Pinar del Río. Com seus mogotes (formações montanhosas únicas), campos de tabaco e tradições rurais, este local é um destino imperdível para os amantes da natureza e da cultura cubana.

Por exemplo, há a Cueva del Indio, uma caverna com um rio subterrâneo que pode ser explorada de barco, combinando aventura e beleza natural, e o Mural da Pré-História, uma enorme obra pintada em uma rocha que representa a evolução da vida na Terra.

As plantações de tabaco são outra atração, oferecendo visitas às fazendas onde as folhas de tabaco são cultivadas e processadas, além de demonstrações de como os famosos charutos cubanos, Habanos, são feitos, considerados os melhores charutos premium ou enrolados à mão do mundo.

Imperdível é o Mirador de Los Jazmines, com uma vista panorâmica espetacular do vale, perfeita para fotografias.

Para muitos guias, a produção de tabaco é o ouro de Pinar del Río, conhecida como a Meca do tabaco cubano. Ela produz grande parte das folhas usadas em charutos de prestígio, já que a região possui condições climáticas e solos únicos.

Por isso, visitas a Las Vegas são organizadas em cidades como San Luis ou San Juan y Martínez.

Outros lugares para explorar incluem Pinar del Río Keys, que oferece praias e natureza intocada, incluindo Cayo Jutías, com sua areia branca e águas azul-turquesa, perfeitas para mergulho com snorkel.

O acesso a esta chave é feito por uma estrada ou caminho sobre o mar. E outro importante na lista é Cayo Levisa, com praias intocadas e recifes de corais, um cenário ideal para mergulho.

Os passeios dos guias incluem a Reserva da Biosfera da Serra do Rosário, uma área protegida com trilhas e cachoeiras; as Termas de São Vicente, fontes termais com propriedades medicinais; e a própria cidade de Pinar del Río, com sua arquitetura colonial e vibrante vida cultural.

Pinar del Río é uma província que tem tudo: natureza exuberante, cultura autêntica, tabaco de qualidade e praias de sonho. O Vale de Viñales é sua joia mais valiosa, mas os cayos ao redor e as experiências de cultivo de tabaco completam uma oferta turística única.

AS ORIGENS DE PINAR DEL RÍO

Pinar del Río tem uma história rica em tradições, lutas de independência e desenvolvimento socioeconômico. Sua evolução é marcada pela colonização espanhola, pelo boom do tabaco e por seu papel nas guerras de independência de Cuba.

Os primeiros habitantes, os Siboneyes e os Taínos, que habitaram esses lugares antes dos colonizadores espanhóis e viviam da pesca, da caça e da agricultura rudimentar.

Entretanto, diferentemente de outras áreas de Cuba, não havia grandes assentamentos aborígenes. Já durante o progresso da colonização espanhola, no século XVI, os ibéricos exploraram a área, mas não a povoaram imediatamente devido à sua distância de Havana e à falta de riqueza.

Em 1571, foi fundada a primeira fazenda (fazenda de gado) na região, chamada San Rosendo, marcando o início da colonização agrícola. Em 1669, foi fundada a cidade de Nueva Filipina, que mais tarde seria chamada de Pinar del Río (nome derivado das extensas florestas de pinheiros que cresciam perto do Rio Guamá).

Em 1774, a cidade declarou-se um Partido Pedáneo (divisão administrativa menor), dependente de Havana. Durante os séculos XVII e XVIII, a economia era baseada na pecuária e na cultura do tabaco, que rapidamente se tornou o produto mais valioso da região.

Assim, no século XIX, o tabaco de Vuelta Abajo (área que inclui San Juan y Martínez e San Luis) ganhou fama mundial por sua qualidade superior.

De 1830 a 1860, grandes vegas (plantações de tabaco) foram estabelecidas e a região consolidou sua posição como a principal produtora de tabaco de Cuba.

Além disso, rebeliões de escravos e lutas pela independência tomaram espaço na região, e a Guerra dos Dez Anos (1868-1878) viu revoltas isoladas.

O general Antonio Maceo realizou a Invasão do Oeste (1896) durante a Guerra de 95, chegando a Pinar del Río para enfraquecer o colonialismo espanhol.

Esses e outros eventos bélicos, culturais e históricos são marcados ali, e após o fim da colônia espanhola em Cuba, em 1898, a área permaneceu abandonada.

Após o triunfo da Revolução Cubana em 1959, várias mudanças foram observadas nas plantações de tabaco, que foram nacionalizadas e redistribuídas, e escolas e hospitais rurais foram estabelecidos, embora a província permanecesse a menos industrializada do arquipélago.

O turismo na região tem pontos fortes, como passeios pela natureza, conhecimento sobre tabaco, praias e ilhotas, e patrimônio cultural com sua música country e tradições agrícolas.

O CURIOSO MURAL DA PRÉ-HISTÓRIA

Uma curiosidade inegável no Vale de Viñales é seu mural pré-histórico, pintado em uma montanha.

Esta impressionante obra de arte ao ar livre, exibida em uma das paredes rochosas dos mogotes, representa a evolução da vida na Terra de acordo com uma visão artística e simbólica.

Uma iniciativa das heroínas revolucionárias Celia Sánchez e Leovigildo González, tem uma história interessante e acessível aos turistas.

Em 1959, após o triunfo da Revolução, Celia Sánchez, uma das figuras-chave do movimento, impulsionou projetos culturais e turísticos em Viñales. Foi então concebida uma obra monumental que combinaria arte, ciência e natureza, sob a direção do artista cubano Leovigildo González Morillo (discípulo do famoso muralista mexicano Diego Rivera).

A obra foi executada entre 1960 e 1961. Pintada em um mogote, foi escolhida uma parede vertical de 120 metros de altura e 180 metros de largura no mogote chamado Pita e foi usada tinta acrílica resistente às intempéries.

Agricultores locais participaram, e mais de 20 pessoas, incluindo artistas e trabalhadores, trabalharam em sua criação. O mural representa a evolução da vida em Cuba e no mundo, desde os organismos mais primitivos até o surgimento dos seres humanos.

Possui elementos representados por animais pré-históricos: Amonitas (moluscos extintos), Dinossauros. Megalocnus (uma preguiça gigante cubana extinta), seres humanos primitivos, aborígenes taínos e siboney, os primeiros habitantes de Cuba.

Espécies endêmicas cubanas também aparecem: o almiquí (um mamífero insetívoro ameaçado de extinção) e o tocororo (ave nacional de Cuba).

Como você pode imaginar, sua manutenção e restauração têm sido uma verdadeira odisseia, com intervenções para revitalizar as cores, por exemplo, em 1980 e 2009, e trabalhos de conservação com técnicas modernas em 2020.

É devidamente inspirado no muralismo mexicano e seu estilo lembra obras de Diego Rivera e José Clemente Orozco. Além disso, algumas lendas locais indicam que o mural foi pintado para proteger o vale do desenvolvimento urbano.

Portanto, este mural é muito mais do que uma pintura gigante; é um símbolo da arte, ciência e identidade cubana, fundido com a paisagem impressionante de Viñales. Sua história reflete o espírito de um país que valoriza sua natureza e cultura.

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